Pra você que perdeu a última edição do Projeto 3em1, na última quarta-feira (18/04), com o tema “Onda Verde. Qual o papel da comunicação?”, veja aqui os pontos principais do debate!
Quem abriu a palestra foi a convidada Dani Klein, diretora de mídia da Knowledge Media – KM, que já foi assessora de comunicação do Iema ( Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e também professora de jornalismo ambiental na UFES. Ela explicou que no jornalismo, a pior coisa para o meio ambiente é o sensacionalismo, que não educa ou explica, só gera o pânico. Segundo Klein, não se deve transformar desastres naturais em simples espetáculos, mas sim trabalhar a comunicação como forma de informar sobre os riscos ambientais e cobrar investimentos governamentais que sirvam de precaução para o caso de outros desastres do tipo.
“Não há dois lados quando o assunto é meio ambiente. Há equilíbrio”. De acordo com Dani, deve ficar claro que tudo o que fazemos traz impactos positivos e negativos, e cabe ao jornalista cobrar que se otimizem os impactos positivos e minimizem os negativos.
Para a segunda convidada, Kelly Mata, que trabalha na parte de mídias e produção da Balaio Comunicação e Design, a sustentabilidade é algo que atende às necessidades das presentes gerações sem prejudicar as futuras. É preciso um equilíbrio entre o social (qualidade de vida da comunidade), natural (preservação do meio ambiente) e financeiro (econômico), para que seja viável.
A palestrante explicou que existem dois tipos de empresas: aquelas que adotam práticas sustentáveis, fazendo o Marketing Verde e cumprindo obrigações legais, e as que possuem um negócio propriamente sustentável, como, por exemplo, a produção de madeira plástica, na qual inclusive os resíduos podem ser reutilizados. Porém, nenhuma empresa é completamente sustentável, pois em algum momento ela irá afetar a natureza. Com isso, é importante que seja criada alguma forma de amenizar esses impactos, uma compensação, como construir parques ou fazer ações na comunidade.
Sem esquecer também, que a prática do Marketing Verde é de grande importância econômica para qualquer empresa, por diferenciá-la da concorrência. Mas não adianta se posicionar como sustentável, se não agir como tal.
O terceiro convidado foi Gustavo Mendonça, que trabalha na MP Publicidade, e que sustenta a ideia de que é preciso “Usar o poder da comunicação em prol de uma sociedade livre, com respeito ao meio ambiente e com justiça social”. O publicitário explicou que a Onda Verde deveria na verdade se chamar “Onda Cor de Pele”, pois a defesa do meio ambiente diz muito mais sobre o próprio ser humano do que os animais, plantas e etc. É algo necessário para a permanência do ser na Terra.
Mudar a consciência das pessoas com relação a esse tema é um trabalho que demanda muito tempo, porém de extrema necessidade. “O pensamento sustentável tem que ser de todos, e não só das empresas. Toda pessoa deveria fazer seu próprio balanço social.”
Os convidados Kelly Mata, Gustavo Mendonça e Dani Klein durante o evento.
Ao final da palestra, começou uma rodada de perguntas:
1. A publicidade incentiva o consumo, mas a sustentabilidade diz outra coisa, como lidar?
Gustavo: É paradoxal. Tudo em excesso faz mal, é importante buscar o equilíbrio. Ser sustentável com o próprio ser. Deve haver um bom senso, consumir, mas sem exageros.
Dani: Existem várias formas de fazer publicidade, hoje, as propagandas estão diferentes, mais transparentes. Mas a verdade é que até mesmo a reciclagem polui. O bom mesmo é reaproveitar. Deve existir uma política por parte das empresas de retirar tudo aquilo que foi colocado por ela no mercado, porém, deve haver também uma divisão da responsabilidade. Quem consome deve ter a consciência de que também é responsável pelos impactos.
Kelly: Por vivermos num sistema capitalista, o consumo é fundamental, mas temos que pensar no consumo de uma forma sustentável. Fazer o descarte correto do lixo, doar a roupa velha, fechar a torneira enquanto escova os dentes… Tudo isso são formas de compensar os impactos causados pelo seu consumo.
2. Foi dito que algumas empresas procuram compensar a exploração mineral feita, mas essa não é uma obrigação por lei? E algumas empresas garantem que ao comprar o produto, você estará ajudando o meio ambiente com replantio, etc. A quem recorrer para ter certeza de que tais práticas são realmente cumpridas?
Kelly: É uma obrigação, mas essas empresas querem mostrar que estão cumprindo uma legislação e estão sendo pró ativas, para assim mudar a nossa percepção da imagem delas. E é importante lembrar que também é papel do poder público pensar na sustentabilidade, criar ações públicas para ajudar, não são só as empresas.
Gustavo: Para saber se elas estão cumprindo com a lei, é necessário buscar órgãos públicos. Mas na hora da compra, quem tem o poder de julgar é o consumidor, se tiver um pouco de discernimento e opinião.
Dani: Os órgãos ambientais, ao contrário do que muitos pensam, não podem proibir uma empresa de se instalar em algum lugar ou despejar resíduos em tal rio, porque são as leis que decidem isso. E quem deve fiscalizar o cumprimento delas é a população, juntamente com o Ministério Público.
3. Quem é responsável por manter a imagem sustentável da empresa, o publicitário ou o assessor? Dani, porque o jornalismo evoluirá mais lentamente no sentido da sustentabilidade?
Dani: O jornalista normalmente não percebe a importância social da sua profissão. Jornalismo é ajudar a sociedade, salvar vidas, cobrir as pautas pensando em como fazer para ajudar àquelas pessoas, e não somente para cumprir o seu horário de trabalho. Seria preciso mudar o perfil dos jornalistas, para que ocorra uma evolução nesse sentido.
Kelly: A publicidade vai ancorar a questão da imagem da empresa. Vai transformar o conceito, o posicionamento da empresa, em algo atrativo para o público. A realidade é que muitas vezes o publicitário tem que florear as coisas pra manter a imagem de uma empresa e poder se manter na profissão.
Gustavo: Todos os profissionais da comunicação lidam com fatos, e precisam ressaltar os pontos positivos pra fazer algo legal. É importante trabalhar com o impacto que o poder do individuo tem sobre o coletivo.
4. Qual é o papel da comunicação?
Dani: Salvar vidas.
Kelly: Fazer as pessoas verem a sustentabilidade como um todo, explicar melhor o conceito.
Gustavo: O papel do publicitário é fazer com que aquele fato seja mais gravado, mais visto, fique na memória das pessoas, não lembrando somente dos fatos ruins.