Eventos: transpiração, planejamento e São Pedro!

Por Francine Leite e Marcelle Desteffani

A última edição do 3em1 teve como tema Eventos. Marcelo Braga, sócio diretor da Liga de Marketing, falou um pouco sobre o conceito de evento e a diferença entre um evento de entretenimento e o corporativo, os desafios e os custos. Já que a Liga é especializada em eventos corporativos (mas também produz outros tipos de ações), a conversa foi bem proveitosa!

Shows, teatros, festas, eventos temáticos, esportivos se enquadram nos eventos de entretenimento, enquanto seminários, congressos, feiras, workshops, exposições podem ser considerados eventos corporativos. Ambos podem ser próprios ou terceirizados.

Olyvia Venturim, executiva de planejamento da Equipe de Eventos da Prix, apresentou a publicidade BTL (Below The Time), que é toda aquela que não utiliza comunicação de massa, ou seja, a mídia tradicional. Ela pode ser também chamada de No Media. “É uma comunicação focada, cara a cara com o target, interativa, que pode ser um evento, uma ação promocional ou uma experiência”.

Para a publicitária, eventos são 90% de transpiração e 20% de inspiração. “Não tem mistério, nem receita de bolo. É estudo”.

Mateus Carvalho, gerente de entretenimento e esportes da Premium, apresentou o trabalho da empresa que começa desde o briefing e vai até o pós-venda e a medição dos resultados dos eventos. Abaixo você confere um pouquinho da conversa que rolou nesse último 3em1.

Inspiração e trabalho

Para trabalhar com eventos não pode ter preguiça de pesquisar muito e se aprofundar em variados temas que possibilitem cada vez mais o aprendizado. Em todas as atividades diárias, até as mais simples, como andar de ônibus ou esperar na fila do supermercado, deve-se tentar olhar com olhos publicitários.

Algumas dicas de Olyvia sobre onde procurar boas referências: sites especializados em promoções, mídias sociais ou blogs (veja o que falam sobre o produto, o cliente, o concorrente), análise das pessoas, como elas falam e como elas são no dia a dia. “Maracatú, sertanejo, mosaico, arte, pintura, futebol americano e bola mania: vale tudo pra se diferenciar dos coleguinhas e fazer a sua mágica”, defendeu Olyvia.

Terceirizar ou não?

Grande parte dos eventos, hoje, é terceirizada, ou seja, o cliente da agência precisa de um evento, mas quem produzirá será outra empresa, especializada no segmento. Nesse caso, quem paga a conta é sempre o cliente. A agência será somente uma ponte, sendo responsável também pela captação de patrocinadores. Se o evento não der certo, o prejuízo fica somente com o cliente, comentou Marcelo Braga.

Eventos próprios dos clientes, promovidos diretamente pela agência publicitária demandam muito planejamento. O lucro pode ser maior, porém o risco financeiro também é maior, porque cliente e agência podem sair perdendo se o evento não der certo. É imprescindível pesquisar o local adequado, com a infraestrutura necessária para que o evento ocorra como o planejado. Além de ficar ligado nos riscos, nas datas conflitantes, no conceito, nas atrações, dentre muitos outros pontos. E por último, mas não menos importante: a previsão do tempo! A chuva pode acabar com um evento ao ar livre.

Não custa nada rezar pra São Pedro, né?
Não custa nada rezar pra São Pedro, né?

Patrocínio

É preciso conhecer bem o cliente e ter um bom projeto de captação de patrocínio, para conseguir ser ouvido. Marcelo fez o alerta: “Hoje as empresas estão muito mais inteligentes do que no passado e pensam muito antes de patrocinar um evento. Lucro, para elas, é o principal objetivo e isso tem muito mais força ultimamente”.

Para Mateus Carvalho, no Espírito Santo a captação de patrocínio é uma dificuldade. Muitas empresas ainda não compreendem os benefícios do investimento em eventos.

Olyvia Venturim explicou que antes de qualquer coisa, é importante definir o público-alvo do evento e pedir patrocínio para empresas que possuem o mesmo público. Apresentar projeto com uma ideia bem amarrada e o retorno que a empresa vai ganhar patrocinando o evento é fundamental.

Espírito Santo

Para os 3em1 da vez, o Estado não tem boas estruturas para a promoção de eventos. Mateus Carvalho acha que faltam locais para a realização deles e os que já existem, cobram preços muito altos, grande parte das vezes inviabilizando o evento. Porém, o Espírito Santo está caminhando para o crescimento. “A cada fim de semana temos uma feira ou um show, o que gera mais empregos e oportunidades para os capixabas”, destacou.

Olyvia Venturim citou a falta profissionalização do governo. “O publicitário visa lucro, o governo não. E mostrar para ele que o evento vale a pena, muitas vezes é difícil”. Além disso, segundo Olyvia, faltam profissionais que tenham as habilidades exigidas pelo setor de eventos. Para ela, os publicitários precisam pensar mais, planejar mais e fazer.

Riscos

Marcelo Braga apresentou alguns riscos na realização de eventos. Entre eles estão: o público inadequado, a falta de conceito, a pesquisa inexistente, a estrutura oferecida, as atrações diferentes do público, e outros.

Para fugir disso é preciso muito planejamento e pesquisa. Marcelo ainda acrescentou: “O segredo do crescimento é relacionamento. Conhecer pessoas, trabalhar mesmo sem receber, buscar estágios e correr atrás sempre, são as chaves para o sucesso”.

 

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