Arte, Cultura e Publicidade
quinta-feira, outubro 14th, 2010
Maria Aparecida Tordesilhas é professora da UVV e na nossa última palestra, sobre Cultura e Publicidade, falou sobre o conceito de Cultura e sua relação com a Publicidade.
A professora mencionou que pessoas cultas eram vistas como aquelas que se familiarizavam com a alta cultura (artes). Mas destacou que a palavra cultura tem vários conceitos e tipos de interpretação, podendo representar a questão social de um povo ou lugar; se relacionando com uma parte do conhecimento do grupo (literatura, artes plásticas, música); ou ainda pode ser vista como algo revolucionário e com ligação com o espírito humano, nos fazendo questionar paradigmas.
Em um segundo momento, a palestrante falou sobre o preconceito existente entre cultura e cultura popular, colocada em segundo plano em relação às ciências. “As artes, assim como a publicidade, foram usadas pela classe dominante e no início do século XX vários artistas compuseram para o mercado, elaborando capas de revista, utilizando técnicas de artes para Marketing Pessoal, para venda de produtos, como pasta dental, entre outros”, comentou.
Segundo Maria Aparecida, a Cultura Popular influencia em diversas criações publicitárias atuais como jingles (inspirados em marchinhas) para o uso de preservativos no carnaval, por exemplo, em enredos carnavalescos e de festas juninas parodiados por diversas empresas para venda de seus produtos.
Aparecida fez uma correlação da publicidade com a cultura e também com a arte quando falou que, se pensada como elemento da cultura, a publicidade faz bem seu papel, pois se a arte é reconhecida como manifestação cultural e nos faz refletir, a publicidade atual também está inserida na cultura, pois retrata e reflete a realidade social (comportamento, vestuário, móvel, modos…) de uma época, se relaciona bem com a cultura popular e reconhece modos de vida, ou seja, ela cumpre um papel de reflexão, como a arte já fez.
“A publicidade vai se adaptando de acordo com o contexto”, disse, acrescentando que algumas artes publicitárias poderiam estar nas paredes de museus.
Ela finalizou sua fala explanando sobre o cinema e o grafite. O primeiro, segundo Aparecida, foi muito influenciado pela linguagem publicitária, implicando em edições e cortes mais rápidos, além ser dividido em filme comercial para a cultura de massa e filme de arte para a alta cultura; o segundo, visto antes como manifestação de rebeldia e contra normas, perdeu seu aspecto libertário e foi domesticado para entrar nos museus, sendo hoje aceito como arte.
Por Larissa Gotardo
